
A invasão da China: quantas marcas de carros chineses existem, quantas já chegaram ao Brasil e o que esperar daqui para frente
Se você entrou aqui é porque já percebeu que existem vários carros novos vindo da China no Brasil e este número vem crescendo rápido nos últimos dois anos. Assim, a paisagem automotiva mudou. O hatch elétrico ao lado no semáforo, o SUV híbrido plug-in na garagem do vizinho, a picape média estacionada na frente do mercado são, em boa parte deles, vindo da China. Mas, afinal, quantas marcas chinesas de carros existem no mundo, quantas desembarcaram por aqui e quantas ainda estão a caminho? E mais importante: vale a pena comprar um?
Eu acompanho esse mercado de perto testando modelos e cruzando dados de emplacamento há anos e posso adiantar uma coisa: a história que se repete hoje é bem diferente da primeira onda chinesa de 2010. Desta vez eles vieram com fábricas, tecnologia própria e um plano de longo prazo.
Quantas marcas chinesas de carros existem na China?

O número impressiona. Em outubro de 2025 a China contabilizava mais de 100 marcas de carros de passeio, mais do que a soma de todas as fabricantes europeias (57), americanas (14), japonesas (14) e coreanas (4) juntas. É um ecossistema que vai das utilidades baratas de cidades pequenas como as da Pocco e da Hengrun até os elétricos de luxo de marcas como Yangwang e Zeekr.
Esse excesso de oferta, porém, esconde um problema que qualquer especialista sério aponta: o mercado chinês não comporta tantas marcas competindo. Depois de bater recordes em 2025: 34,4 milhões de veículos vendidos no país, alta de 9,4%, a expectativa de analistas é que uma consolidação brutal está só começando. Muitas dessas marcas vão desaparecer ou serem absorvidas nos próximos anos. O governo chinês já interveio para conter a guerra de preços que corroía as margens de todo o setor.
Na prática, o mercado chinês hoje é liderado por um grupo compacto de gigantes:
- BYD: líder absoluta com 4,6 milhões de carros vendidos em 2025 (contando exportações), apesar de uma retração nas vendas domésticas provocada pela guerra de preços.
- Geely: a grande ascensão do momento com cerca de 2,6 a 3 milhões de unidades e crescimento próximo de 40% ao ano, o Geely EX2 (Xingyuan, na China) foi o carro mais vendido do país em 2025 destronando o BYD Dolphin Mini (o Seagull chinês);
- Changan e Chery: ambas na casa dos 2,8 a 2,9 milhões de unidades com a Chery se destacando como maior exportadora da China, mais de 1,3 milhão de veículos enviados ao exterior em 2025;
- SAIC-GM-Wuling, GWM, GAC e Leapmotor: completam o pelotão de frente.
Enquanto isso as antigas joint ventures ocidentais afundam: a participação combinada de Toyota, Honda e Nissan caiu para menos de 9% do mercado chinês. Os elétricos e híbridos plug-in (NEVs) já respondem por quase 48% das vendas, foram 16,49 milhões de unidades em 2025.
Quantas marcas chinesas já vendem carros no Brasil?

Aqui o número também mudou rápido. Em 2011 existiam oito marcas chinesas no Brasil. Em 2025 eram 15. Em 2026 o levantamento mais completo do setor aponta 22 marcas operacionais, ou 18, se descontarmos as que foram rebatizadas (como a Deepal, vendida como Caoa Changan, e a Fangchengbao, que chegou como Denza B5).
A lista atual inclui BYD, Caoa Chery, GWM, Geely, Omoda, Jaecoo, Jetour, GAC, Zeekr, MG Motor, Leapmotor, JAC, Foton, Changan, Avatr, Denza, Yangwang e outras.A esteira não para: Arcfox, BAIC, Dongfeng (com três marcas: DFM, Voyah e M-Hero), IM Motors e Lynk & Co estreiam ainda em 2026, enquanto Exeed, Luxeed, iCAUR, Xpeng, Voyah e até a Xiaomi aparecem no radar para 2027 e 2028. Somando tudo o Brasil pode ter mais de 30 marcas chinesas até o fim da década.
Vendas no Brasil: o “grupo China” já é a quarta força do mercado

Números não deixam dúvida. Em 2025 as chinesas somaram 10,2% do mercado brasileiro, número que é praticamente empatadas com a General Motors. Em julho de 2026 o avanço ficou ainda mais evidente: BYD, GWM e Caoa Chery cresceram 146% num mercado que avançou 19%, o bloco chinês já responde por cerca de 15,6% das vendas de veículos leves no país, superando Hyundai e Toyota.
Na ponta o ranking de 2025 mostra BYD em 7º lugar geral (66.419 unidades até agosto, 5,49% de participação), Caoa Chery em 11º (41.727) e GWM em 13º (23.016). O modelo chinês mais vendido do ano foi o Caoa Chery Tiggo 7 (21.445 emplacamentos de janeiro a agosto), seguido pelo BYD Dolphin Mini e pelo GWM Haval H6.
Mas onde as chinesas dominam de verdade é entre os eletrificados: respondem por mais de 84% dos carros elétricos vendidos no Brasil com a BYD sozinha controlando cerca de três em cada quatro BEVs (Battery Electric Vehicle) e a GWM liderando os híbridos plug-in com o Haval H6.
As parcerias que fizeram tudo isso acontecer
Nenhuma dessas marcas chegou sozinha e entender as parcerias é entender a estratégia:
- CAOA + Chery: a operação mais antiga da nova leva, com fábrica em Anápolis (GO) e rede consolidada. A CAOA também resgatou a Changan e trouxe a Avatr.
- Geely + Renault: a chinesa usa a estrutura da Renault no Brasil para importação, distribuição e pós-venda, vai produzir o EX5 no complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR).
- Leapmotor + Stellantis: o grupo europeu Stellantis detém participação no grupo chinês e opera a marca por aqui.
- SAIC + GM: as joint ventures chinesas da GM (SAIC-GM-Wuling) fornecem kits para os Chevrolet SPARK EUV e Captiva produzidos no Ceará.
- BYD e GWM: compraram plantas prontas, a BYD assumiu as antigas instalações da Ford em Camaçari (BA) e a GWM comprou a fábrica da Mercedes em Iracemápolis (SP);
- Grupo Chery: opera um esquema de “multi-marcas” sem precedentes com Caoa Chery, Omoda, Jaecoo, Jetour e promessas de Exeed, Luxeed (parceria com a Huawei) e iCAUR.
Vantagens e desvantagens
Vantagens: custo-benefício realmente difícil de bater (o Dolphin Mini partiu de R$ 120 mil, o Haval H6 entrega equipamento de SUV premium por preço de médio), tecnologia de bateria e recarga anos à frente das marcas tradicionais, a adaptação ao etanol, a GWM fez o primeiro híbrido plug-in flex do mundo, um feito técnico relevante.
Desvantagens: rede de concessionárias e oficinas ainda é irregular fora dos grandes centros, a revenda de alguns modelos ainda é incerta e o custo de seguro de certos elétricos pesa. Quem compra importado puro também está sujeito à escalada do imposto de importação que vai subir até 35%.
Opinião final: desta vez a invasão chinesa veio para ficar mas não todas as marças. A lição da JAC e da Chana que despontaram em 2011 e quase sumiram continua válida. Meu conselho é escolher entre as que já fabricam no Brasil ou tem parceiro local forte. São elas que estarão por aqui, com peças disponíveis, daqui a dez anos.
Fonte consultada:
- Fenabrave. Clique aqui para acessar.
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Esperamos que este conteúdo tenha ajudado você a encontrar informações para fazer escolhas cada vez melhores no mundo dos carros.
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