Tem uma categoria de produto que o mercado trata mal: o item que não é o mais barato, não é o mais moderno e não está na moda. No mundo dos SUVs brasileiros, o Mitsubishi Eclipse Cross vive exatamente nesse lugar. Ele não aparece nos comparativos mais badalados, não tem campanha na televisão toda semana e não é o assunto das redes sociais. Mas em maio de 2025, a versão Rush aparece em promoção a partir de R$ 172.990 — e isso é suficiente para colocá-lo de volta no radar de quem está pensando em comprar um SUV médio sem pagar acima de R$ 180 mil.
Não estou dizendo que ele é a melhor opção do mercado. Não é. Mas pode ser a opção certa para um perfil específico de comprador. E para isso, vale entender o que esse carro realmente entrega — e o que ele deixa a desejar.
Por Que o Eclipse Cross Sumiu das Conversas?

O Eclipse Cross chegou ao Brasil em 2018 e passou por uma atualização visual relevante que trocou a traseira original — aquela com a lanterna partindo o vidro ao meio, que dividia opiniões — por uma solução mais convencional. A dianteira ganhou a identidade visual mais atual da Mitsubishi. E foi basicamente isso. O interior continuou o mesmo, o painel analógico ficou, os botões físicos no cluster de instrumentos também.
Em um mercado que valoriza novidades tecnológicas e painéis digitais enormes, ficar parado por anos é um problema real de imagem. Enquanto concorrentes renovavam plataformas e interfaces, o Eclipse Cross foi envelhecendo — e os clientes foram olhando para outros lados.
A Mitsubishi percebeu isso e fez o que estava ao alcance: renegociou com o Japão os custos de componentes importados, reduziu os preços de toda a linha e criou o Eclipse Cross Rush — uma versão de entrada com equipamentos enxugados, mas com um número bem mais atraente na etiqueta. Inicialmente pensada como série especial limitada a 150 unidades, virou linha permanente por causa da receptividade do mercado.
O carro é montado no Brasil pela HPE, em Catalão (GO), o que ajuda no controle dos custos locais.
O Preço Que Muda a Equação
Em maio de 2025, o Eclipse Cross Rush está sendo ofertado a partir de R$ 172.990. Para colocar em perspectiva:
- Volkswagen T-Cross Highline 1.4 turbo: R$ 175.990
- Jeep Compass Sport 2025 (entrada): R$ 174.990 (tabela – em promoção é encontrado por R$149.990 na cor preta em algumas concessionárias)
- Mitsubishi Eclipse Cross HPE (linha anterior de entrada): R$ 185.990
O Rush fica abaixo de todos eles. E ao contrário do T-Cross e do Compass, ele é classificado como SUV médio — com dimensões maiores. Não é uma vantagem em todos os aspectos, mas em espaço interno sim.
Claro, o preço mais baixo vem com contrapartidas. É importante saber quais são antes de se empolgar.
O Que o Rush Não Tem em Relação à Versão HPE
Para chegar nesse valor, a Mitsubishi tirou alguns equipamentos que a versão HPE tem. O que ficou de fora: faróis de LED, luz de neblina, borboletas atrás do volante, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, aquecimento dos bancos dianteiros, ajuste elétrico do banco do motorista, chave presencial e freio de estacionamento eletrônico com auto hold. O ar-condicionado automático permanece, mas apenas com uma zona em vez de duas.

No uso cotidiano, boa parte dessas ausências passa despercebida. Mas a ausência do ajuste elétrico do banco do motorista é sentida, especialmente para quem divide o carro com outra pessoa e precisa ajustar a posição frequentemente.
O freio mecânico, aquela alavanca clássica no console, pode parecer uma economia, mas na prática funciona bem — e alguns motoristas preferem o controle físico ao eletrônico. Esteticamente o botão do freio de mão eletrônico é mais harmônico.
O Que o Rush Tem — e Está Bem Equipado Para o Preço
Apesar dos cortes, o pacote que sobra é razoável. A central multimídia JBL de 7 polegadas traz Android Auto, Apple CarPlay e conexão Wi-Fi. O volante em couro tem ajuste de altura e profundidade com comandos integrados para áudio, telefone, voz e piloto automático. No banco traseiro há saídas de ar-condicionado, tomada 12V e bancos reclináveis.
Na segurança, o conjunto é completo: airbags frontais, laterais, de cortinas e para os joelhos do motorista, controle de tração, controle de estabilidade, câmera de ré com linhas dinâmicas, ABS com EBD e monitoramento de pressão dos pneus. Esse nível de segurança passiva é um ponto positivo real, especialmente comparado a alguns concorrentes que ainda cortam airbags laterais nessa faixa de preço.
As rodas de 18 polegadas com design renovado entregam uma presença visual adequada para um SUV médio.
Motor e Transmissão: Um Ponto Forte Real
O Eclipse Cross Rush usa um motor 1.5 turbo de quatro cilindros — e esse detalhe merece atenção. Boa parte dos SUVs concorrentes nessa faixa de preço usa motores de três cilindros turbinados. Eles cumprem o papel, mas têm aquela vibração típica em marcha lenta que aparece depois de um tempo de uso. O quatro cilindros do Eclipse Cross simplesmente não tem esse comportamento. Ele é mais suave parado e também em altas rotações, sem transmitir tremores para a cabine.
O motor entrega 165 cv a 5.500 rpm e 25,5 kgfm de torque a 1.800 rpm, trabalhando exclusivamente com gasolina — sem flex. A transmissão é um CVT com simulação de oito marchas. O câmbio CVT tem reputação controversa, mas no Eclipse Cross ele está bem calibrado: não deixa o motor preso em altas rotações por tempo prolongado, que é exatamente a queixa mais comum desse tipo de caixa.
Nos testes, o Rush fez 0 a 100 km/h em 9,9 segundos com tração dianteira. Não é rápido, mas é adequado para o que o carro propõe. O consumo registrado foi de 9,4 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, com gasolina — números melhores do que a versão AWD (8,8 e 11 km/l, respectivamente). Para um SUV de mais de 1.500 kg, está dentro do esperado.
A tração é exclusivamente dianteira no Rush — quem precisa de tração nas quatro rodas precisa subir de versão.
Espaço Interno: Aqui o Eclipse Cross Se Destaca

Com 4.545 mm de comprimento, 2.670 mm de entre-eixos e 1.805 mm de largura, o Eclipse Cross é grande para os padrões do que é vendido nessa faixa de preço. Isso se traduz em espaço real dentro do carro.

O banco traseiro acomoda dois adultos com conforto e um terceiro passageiro ao centro com mais folga do que em SUVs compactos. Famílias com cadeirinha infantil não precisam sacrificar o espaço dianteiro. O porta-malas comporta 473 litros e não tem degrau entre o assoalho e a abertura da tampa, o que facilita o embarque e desembarque de bagagens mais pesadas.
O lado negativo desse tamanho está nas manobras. O Eclipse Cross é largo — com carroceria generosa e espelhos retrovisores grandes. Em vagas de estacionamento apertadas, como as de shoppings em horário de pico, exige bastante atenção. Os espelhos grandes ajudam na visibilidade, mas aumentam a dificuldade nas manobras.
A suspensão independente nas duas pontas — McPherson na frente e multilink na traseira — está bem calibrada. É um pouco mais firme que a do Compass nos pisos irregulares, mas sem ser desconfortável. O volante tem um peso natural nas mãos, sem aquela artificialidade elétrica exagerada de alguns rivais. Em rodovias acima de 100 km/h, entra um leve ruído de vento pela lataria, mas nada que atrapalhe uma conversa.
O Interior Que Mostra a Idade — Seja Honesto Com Isso

Esse é o ponto mais difícil de ignorar. O interior do Eclipse Cross tem a idade que tem. O painel de instrumentos é analógico, com uma tela pequena no centro para o computador de bordo, controlada por botões físicos no próprio painel. Em 2025, quando concorrentes chegam com painéis digitais de 10, 12 polegadas, isso parece antigo.
Dito isso, os botões físicos são intuitivos e funcionam sem precisar navegar em menus no painel tátil — o que tem lá o seu valor no dia a dia. Há alguns detalhes inesperados, como a possibilidade de personalizar o som da seta. É uma pequena peculiaridade japonesa que não faz diferença prática nenhuma, mas mostra que o desenvolvimento do carro foi feito com certa atenção aos detalhes.
O acabamento usa bastante plástico brilhante em áreas de contato frequente, como o volante e o console central. Fica sujo com facilidade e incomoda quem se importa com o visual do interior ao longo do tempo. A montagem em si é boa e as texturas variam para não deixar o ambiente monótono, mas não esconde que é uma versão de entrada.
Para Quem o Mitsubishi Eclipse Cross Rush é Uma Boa Compra?
O Eclipse Cross Rush não é para todo mundo. Mas há um perfil específico para quem ele faz bastante sentido:
Faz sentido se você: precisa de espaço interno real de SUV médio sem pagar mais de R$ 180 mil, valoriza um motor quatro cilindros mais refinado que os tricilíndricos concorrentes, usa o carro majoritariamente na cidade e em estradas pavimentadas (sem precisar de AWD) e não se importa com um interior tecnologicamente mais simples.
Pode não fazer sentido se você: prioriza painel digital e conectividade moderna, precisa de tração integral, quer uma chave presencial num carro nesse preço, ou se está comparando com SUVs compactos que cabem melhor em estacionamentos urbanos.
O Jeep Compass Sport, por exemplo, entrega mais atualidade tecnológica, mas custa cerca de R$ 7 mil a mais na entrada. O Volkswagen T-Cross Highline é menor em todas as dimensões e sai por R$ 175 mil. O Tiggo 7 aparece como rival direto no preço, mas o Eclipse Cross tem vantagem no refinamento do motor.
Nenhuma dessas comparações coloca o Eclipse Cross Rush como vencedor absoluto. Ele é uma opção equilibrada — com vantagens reais em espaço e refinamento de motor, e desvantagens claras em tecnologia de interface e falta de alguns itens que, nesse valor, já deveriam ser padrão.
Especificações — Mitsubishi Eclipse Cross Rush 2025
| Item | Dado |
|---|---|
| Motor | 1.5 turbo 4 cilindros, 1.499 cm³, 16 válvulas |
| Potência | 165 cv a 5.500 rpm |
| Torque | 25,5 kgfm a 1.800 rpm |
| Transmissão | CVT com simulação de 8 marchas |
| Tração | Dianteira (FWD) |
| Suspensão dianteira | McPherson independente |
| Suspensão traseira | Multilink independente |
| Rodas | 18 polegadas com pneus 225/55 |
| Comprimento | 4.545 mm |
| Entre-eixos | 2.670 mm |
| Largura | 1.805 mm |
| Altura | 1.685 mm |
| Peso | 1.570 kg |
| Porta-malas | 473 litros |
| Tanque | 63 litros (gasolina) |
| 0–100 km/h | 9,9 segundos |
| Consumo urbano | 9,4 km/l (gasolina) |
| Consumo estrada | 12,8 km/l (gasolina) |
| Preço em maio 2025 | A partir de R$ 172.990 |
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